Bobby Fischer, Rey do Xadrez Yankee
January 22nd, 2008Bobby Fischer
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Bobby Fischer (esquerda) e seu primeiro treinador, John W. Collins, na década de 1950.
Robert “Bobby” James Fischer (Chicago, 9 de março de 1943 — Reykjavik, 17 de Janeiro de 2008[1]) foi um famoso enxadristabr. (xadrezista) norte-americano, naturalizado islandês e ex-campeão mundial de xadrez.
Vida e carreira
Filho de pai alemão, Hans-Gerhardt Fischer, um biofísico e mãe judia-suíça naturalizada norte-americana, Regina Wender, aprendeu a jogar xadrez aos seis anos com sua irmã mais velha, que o entretia com diversos jogos(dentre eles o xadrez) enquanto a mãe ia trabalhar; o pai era ausente e pouco se sabe dele. Mudou-se cedo para a Califórnia e pouco tempo depois para Nova Iorque, onde pôde desenvolver-se em grandes clubes seculares como o Marshall e o Manhattan.
Aos treze anos jogou a “Partida do Século” num torneio de Mestres em 1956 contra Donald Byrne, irmão de Robert Byrne, o qual também era Grande Mestre e foi vítima de uma das maiores partidas de Fischer no US-ch 1963, o qual Fischer venceu com 100% de aproveitamento, 13 em 13 possíveis e rating performance acima de 3000, feito igualado por Emanuel Lasker, na Alemanha, e Alexandr Fier, no Brasil.
Fischer venceu também o campeonato estadunidense oito vezes em oito participações (1957, 1958, 1959, 1960, 1961, 1962, 1973, 1975 e 1986), sendo a primeira aos catorze anos em 1957 e a segunda aos quinze, em 1958. Venceu jogadores tão fortes como Samuel Reshevsky (considerado pelo próprio Fischer como um dos dez melhores de todos os tempos - até então TOP 10), com tão pouca idade. De dezembro de 1962 até o fim da sua carreira, em 1992, Fischer venceu todos os torneios que disputou, exceto dois, nos quais terminou em segundo lugar: Capablanca Memorial, 1965, vencido por Boris Spassky e a Piatigorsky Cup, 1966, vencida por Smyslov. Geralmente Fischer vencia os abertos e grandes torneios que participava com 3 ou 3,5 pontos de vantagem em relação ao segundo colocado.
A principal façanha da sua carreira foi a classificação para chegar à final do mundial contra Spassky. Fischer venceu Taimanov (enxadrista top 10) por 6×0 num jogo melhor de 10. Fischer venceu Larsen (que era um dos cinco melhores jogadores do mundo) por 6×0 num jogo melhor de 10 e venceu Petrosian por 7,5×2,5 num jogo melhor de 10. Havia uma hegemonia russa desde quando Alekhine derrotou Capablanca em 1957. Após a recusa de Fischer defender o título em 1975, a hegemonia de russos voltou e durou até o indiano Viswanathan Anand vencer o Mundial FIDE de 2000.
Em 1992, Fischer voltou a disputar um encontro contra Boris Spassky.[1] Mesmo Fischer estando 20 anos afastado, enquanto Spassky permaneceu ativo durante todo este tempo, Fischer venceu com relativa facilidade e introduziu diversas novidades teóricas.
Fischer foi preso no Japão e lutou contra sua extradição para os Estados Unidos por quase um ano. A Islândia ofereceu cidadania a Fischer, tendo ele aceitado. Livre então pela cidadania islandesa, Fischer seguiu viagem para a Islândia chegando no dia 23 de março de 2005.
Em eleição feita pelo principal periódico internacional de xadrez, o Sahovski Informator, Fischer foi considerado pelos grandes mestres como o melhor enxadrista do século XX, à frente de Kasparov.
Algumas fontes lhe atribuem um Q.I. entre 437 a 597. Na lista das celebridades da Sigma Society, figura com Q.I. estimado em 291, o que correspondente a cerca de 183 pela escala de raridade Stanford-Binet.
Bobby Fischer morreu em 17 de janeiro de 2008, na Islândia, aos 64 anos.[1]
Comparação entre Fischer e Kasparov
Com tais resultados e a vitória sobre Spassky na final do mundial Fischer terminou sua carreira em 1972 com uma pontuação de 2785, marca só superada em 1987/1988 por Kasparov, quase 15 anos depois. Quando Fischer atingiu 2785 o segundo lugar tinha 2625 (Spassky); já quando Kasparov atingiu os 2780 o rating já estava inflado e o segundo lugar, Karpov, tinha mais de 2700. Ou seja, o espaço entre Fischer e seus contemporâneos era muito superior ao de Kasparov em relação aos seus. Kasparov nunca venceu um TOP 10 por 6×0, nem um TOP 5 por 6×0, como Fischer fez com Taimanov e Larsen. Fischer venceu Tigran Petrosian quatro partidas em seqüência na final do torneio de candidatos de 1971. Em 1973, o campeonato soviético foi vencido por Karpov, e tinha dentre outros jogadores, Tal, Smyslov, Spassky, Bronstein, Korchnoi e Petrosian. Petrosian foi o terceiro lugar, único invicto após 18 rodadas. Nem o campeão Karpov nem o vice Spassky conseguiram ficar invictos.
Repertório de aberturas
- Com as brancas, adepto da Abertura do Peão do Rei, a qual defendia com a seguinte citação: Best by test.
- De negras, contra e4, utilizava a Defesa Siciliana, variante Najdorf.
- De negras, contra d4, c4 ou Cf3, jogou várias, a principal foi a Defesa Índia do Rei, depois a Grünfeld, dentre outras Defesas Índias.
Citações
- “Não sou um computador como os outros querem pensar. Botvinnik disse uma vez que calculo melhor que os demais, que sou uma máquina, um homem prodígio e tambem fui uma criança prodígio. Aqui não há prodígio algum. Sou meramente um homem, mas um homem extraordinário. Estudo e aprendo cada dia mais e mais, um dia hão de ser meus o carro mais caro e a casa mais bonita. Na América não há ninguém que possa comparar-se comigo. Fui campeão nacional 7 vezes o que começa a ser fatigante. Aos 14 anos fui campeão nacional, com 16 “grande mestre”, com 27 anos sou o melhor do mundo e com 28 serei declarado oficialmente campeão mundial. Meu objetivo é que ninguém no planeta saiba “mexer as peças” melhor do que eu!” Robert James (Bobby) Fischer, 1971.
Referências
- 1,0 1,1 1,2 Bruce Weber (18 de janeiro de 2008). Bobby Fischer, Chess Master, Dies at 64. The New York Times. Página visitada em 18 de janeiro de 2008.http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Bobby_Fischer&oldid=9098463
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